Suicídio. Vamos falar à respeito?

O Suicídio ainda é um assunto tabu em nossa sociedade, seja por causar medo, espanto ou pelo fato das pessoas não saberem como lidar com a triste realidade.

As causas mais comuns do Suicídio estão associadas a transtornos mentais (psicológicos e/ ou psiquiátricos) que podem incluir depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo.

Segundo uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma média de 800 mil pessoas cometem Suicídio no mundo a cada ano (número maior que todos os mortos em guerras, vítimas de homicídios e desastres naturais). Novos estudos indicam que o ritmo dos Suicídios está se acelerando. A Universidade de Oxford estudou os efeitos da crise econômica global, que começou em 2008, sobre as taxas de Suicídio nos EUA, no Canadá e na Europa. Em todos os casos, elas apresentaram crescimento: de 4,8%, 4,5% e 6,5%, respectivamente. Os Suicídios no mundo já vinham aumentando (o número global de casos cresceu 60% desde a década de 1970), mas agora assumiram um ritmo mais intenso. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.

Ainda segundo a OMS, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta.

Indicadores que a pessoa precisa de ajuda especializada, tem ideação (=idéias) Suicida e pode vir a cometer o Suicídio:

  • Desesperança de vida/ de futuro;
  • Isolamento social;
  • Deixar de cumprir com as obrigações diárias sem se importar com consequências;
  • Falar sobre a morte como a única saída para os problemas;
  • Dizer frases do tipo: “Não consigo lidar com tudo isso – a vida é muito difícil. Não se preocupe, não estarei aqui pra ver o desenrolar disso. Não vou te atrapalhar por muito tempo. Você ficara melhor sem mim. Sinto como se não houvesse saída. Gostaria de estar morto. Não queria ter nascido.”

Portanto, esteja atento às mudanças bruscas nos comportamentos; se você perceber que as ideias de suicídio são frequentes, investigue se existe um planejamento para o ato suicida. Não encare a situação como: “ele (a) faz isso somente para chamar atenção/ Não teria coragem”. Procure ajuda especializada o mais rápido.

A prevenção ainda é a melhor saída.

A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) na prevenção ao Suicídio:

O processo terapêutico da TCC com o paciente com pensamentos suicidas tem similaridades com o processo terapêutico da TCC para pacientes com depressão, com transtornos de ansiedade, com transtornos de dependência de substância, dentre outros (Wenzel et al., 2010). A TCC com o paciente suicida se debruça sobre os problemas de vida do indivíduo, mais aguçadamente se estes estiverem concatenados com crises suicidas. Sendo assim, torna-se importante atentar para a prevenção do Suicídio, seja na busca de estratégias que modifiquem a ideação ou intenção suicida, seja na busca de estratégias que provoquem esperança para o futuro (Wenzel et al., 2010).

Sabe-se da eficácia comprovada do tratamento da TCC para pacientes com quadros depressivo e ansioso, os quais podem aumentar o risco de Suicídio. Um terapeuta com características ativas e assertivas, que acredite no tratamento e tenha um plano de ação é ponto importante para gerar mudança nas cognições, nas emoções e nos comportamentos do paciente. Uma aliança terapêutica estabelecida pode contribuir para a redução da desesperança e dos pensamentos suicidas (Sudak, 2012).

Estudo realizado por Brown e colaboradores (2005) com um grupo de pacientes com graus significativos de desesperança aponta que intervenções realizadas por meio de 10 sessões de TCC tornaram 50% dos participantes menos propensos à tentativa de suicídio no período do acompanhamento do que o grupo que não recebeu tal tratamento. Além disso, foi constatada diminuição significativa dos níveis de desesperança do grupo que foi acompanhado a partir da TCC, bem como outros sintomas depressivos se tornaram menos graves.

Fonte/ Referências Bibliográficas:

Brown, G. K., Have, T. T., Henriques, G. R., Xie, S. X., Hollander, J. E., & Beck, A. T. (2005). Cognitive therapy for the prevention of suicide attempts: A randomized controlled trial. Journal of American Medical Association, 294(5),563-570. DOI: http://dx.doi.org/10.1001/jama.294.5.563

Global Burden of Disease, Organização Mundial da Saúde.

Sudak, D. M. (2012). Combinando terapia cognitivo-comportamental e medicamentos: Uma abordagem baseada em evidências. Porto Alegre: Artmed.

Wenzel, A., Brown, G. K., & Beck, A. T. (2010). Terapia cognitivo-comportamental para pacientes suicidas. Porto Alegre: Artmed.

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Contato:

Vivian Maria Denny Psicóloga – Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – CRP 06/63504; vivian.psico@hotmail.com

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