Resiliência: O Comportamento dos Vencedores

Resiliênciaresiliencia-1
(inglês resilience)
s. f.
1. [Física] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

2. [Figurado] Capacidade de superar, de se recuperar de adversidades.

A psicologia tomou esse termo emprestado da física, definindo resiliência como a capacidade do indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, eventos traumáticos, dentre outros – sem entrar em surto psicológico.
É um termo utilizado para definir a capacidade humana de passar por experiências adversas sucessivas sem prejuízos para o desenvolvimento, que propiciam ao ser humano, condições para enfrentar e superar problemas e adversidades e de ser fortalecido por elas.
O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de um prédio, se a pressão for superior à resistência, aparecerão rachaduras (doenças e lesões, por exemplo). Dentre as mais diferentes doenças psicossomáticas que se manifestam no indivíduo que não possui resiliência, estão não apenas o estresse, mas doenças graves como a gastrite até a síndrome do pânico, incluindo ainda problemas como vaginites, doenças intestinais, hipertensão arterial, dentre outros males.
Na Neuropsiquiatria, estudos têm demonstrado que nosso cérebro tem a capacidade de
se moldar diante dos acontecimentos vivenciados em nosso dia-a-dia, sendo que o ambiente em que estamos inseridos tem papel transformador. Nesse sentido, nossa capacidade de renovação é completa: nossos pensamentos, atitudes e formas de assimilação para determinados acontecimentos. Certas pessoas tornam-se resignadas e acabam aceitando, passivamente, os dissabores da vida. Essa resignação compromete a ação de lutar contra o que ocorre, e a renúncia gera a acomodação frente a cada situação diferente e nova. Costuma-se dizer que tais pessoas sofrem da “Síndrome da Gabriela”: “eu nasci assim, eu cresci assim, sempre fui assim”. Outras são, totalmente, reativas. O ambiente é que comanda sua satisfação pela vida. Suas reações são reclamar e praguejar, sendo que nem ao menos tomam alguma atitude efetiva para a mudança. A revolta é uma das principais características de comportamento. Mas, há aquelas que além de confrontarem as situações, enfrentam as tensões com desenvoltura, fazendo de cada experiência um aprendizado positivo. Ao invés de focarem no problema, focam na solução. Ou seja, desenvolveram ao longo da vida, um comportamento resiliente.
A Resiliência não é um traço de caráter hereditário que possuímos ou deixamos de possuir. Trata-se de uma conquista pessoal. Não é à toa que a superação e o crescimento humano são potencializados em momentos de dificuldade!
Uma pessoa resiliente não se abate facilmente, não culpa os outros pelos seus fracassos e usa sua energia para lutar. O fatalismo e o sentimento de vítima do destino passam longe dessas pessoas. Pensamentos negativos como tudo é difícil, não consigo mudar de rumo ou ninguém faz nada por mim, não fazem parte de suas vidas. Ao contrário, vão à luta para reverter situações indesejáveis.
Toda tentativa de mudança pode produzir insegurança, medo e desejo de manter a rotina já conhecida. Não adianta a pessoa reclamar do destino, ao invés de tentar mudar e começar algo novo. Se nada for feito, a tendência é agravar os problemas a cada dia que passa, podendo surgir sintomas de angústia, depressão, úlcera, labirintite e outros distúrbios psicossomáticos.
É possível ter a ilusão de acostumar-se com os problemas, quando na verdade eles não param de crescer. Muitas vezes as pessoas insistem em comportamentos negativos e depois reclamam. Reclamar é inútil, pois a única saída é analisar a situação e buscar uma solução. Repetir os mesmos erros e esperar que os resultados melhorem é acumular frustrações. Isso só pode nos deixar infelizes.
É importante reagir, começar agora a mudar a situação indesejada: estudar, trabalhar, cuidar da saúde, estabelecer relações prazeirosas, adquirir novos hábitos de vida, organizar-se. Manter vínculos com pessoas que possam dar apoio e estímulo para novas conquistas pode ajudar na superação dos problemas, mas não se deve esperar que façam o papel de salvadores do fundo do poço. Cada pessoa deverá encontrar a melhor solução para si mesma.

Nos dias de hoje, mesmo com o estresse, manter a qualidade de vida e o equilíbrio emocional sao essenciais. Mas como fazer isso? A resposta é simples: treinando a capacidade de cada indivíduo de desenvolver a resiliência.

O pesquisador George Souza Barbosa entende a resiliência como um “amálgama de 7 fatores”: Administração das Emoções, Controle dos Impulsos, Empatia, Otimismo, Análise Causal, Auto Eficácia e Alcance de Pessoas (Barbosa, 2006).
Administração das Emoções é a habilidade de se manter sereno diante de uma situação de estresse. Pessoas resilientes quanto a esse fator são capazes de utilizar as pistas que lêem nas outras pessoas para reorientar o comportamento, promovendo a auto regulação. Quando esta habilidade é rudimentar, as pessoas encontram dificuldades em cultivar vínculos, e, com freqüência desgastam no âmbito emocional aqueles que convivem em família ou no trabalho.
Controle de Impulsos se refere à capacidade de regular a intensidade de seus impulsos no sistema muscular (nervos e músculos). É a aprendizagem de não se levar impulsivamente para a experiência de uma emoção. As pessoas podem exercem um controle frouxo ou rígido do seu sistema muscular, sendo que esses sistemas estão vinculados à regulação da intensidade das emoções. Dessa forma, a pessoa poderá viver uma emoção de forma exacerbada ou inibida. O Controle de Impulso garante a auto-regulação dessas emoções, ou a possibilidade de dar a devida força à vivência de emoções.
Otimismo se definiria pela crença de que as coisas podem mudar para melhor. Há um investimento contínuo de esperança e, por isso mesmo, a convicção da capacidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão esteja fora das mãos.
Análise do Ambiente se trata da capacidade de identificar precisamente as causas dos problemas e das adversidades presente no ambiente. Essa possibilidade habilita a pessoa a se colocar em um lugar mais seguro, ao invés de se posicionar em situação de risco.
Empatia significa a capacidade que o ser humano tem de compreender os estados psicológicos dos outros (emoções e sentimentos). É a capacidade de decodificar a comunicação não verbal e organizar atitudes a partir desta leitura.
Auto Eficácia se refere à convicção de ser eficaz nas ações propostas. É a crença de que resolverá seus próprios problemas por meio dos recursos que encontra em si mesmo e no ambiente.
Alcançar Pessoas é a habilidade que a pessoa tem de se vincular a outras pessoas, sem receios e medo do fracasso. É a capacidade de se conectar a outras pessoas com a finalidade de viabilizar a formação de fortes redes de apoio.
Barbosa defende que tais fatores quando agrupados propiciam a superação da adversidade relacionada ao sentido da vida, no próprio resiliente e no seu próximo e é essa aglutinação que possibilita o produto da maturidade emocional.

Dicas para aumentar a capacidade de resiliência:
Mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade.
Aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação.
Praticar esportes para aumentar o ânimo e a disposição.
Procurar manter o lar em harmonia, pois este é o “ponto de apoio para recuperar-se”.
Aproveitar parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois isso aumenta a autoconfiança.
Transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom.
Assumir riscos (ter coragem).
Tornar-se um “sobrevivente” repleto de recursos.
Apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas).
Separar bem quem você é e o que faz.
Usar a criatividade para quebrar a rotina.
Examinar e refletir sobre a sua relação com o dinheiro.

Um exemplo de Resiliência:
Em setembro de 1998, o bicampeão em iatismo, Lars Schmidt Grael, teve sua perna direita amputada, devido a um acidente que interrompeu sua vitoriosa carreira esportista. Ao ser entrevistado e questionado sobre qual teria sido a lição aprendida desse episódio, Lars Grael concluiu: “O erro das pessoas, em geral, é se voltar para trás. Comparar o presente com o que tinham antes. Se eu fosse comparar minha vida anterior com a vida que levo hoje, com certeza teria entrado em depressão. Mas não adianta ficar olhando para trás. Temos que lidar com o “aqui e agora”. Poderia ter sido pior, e tenho a obrigação de me sentir no lucro”.

Referencia: BARBOSA, George. S. Resiliência em professores do ensino fundamental de 5ª a 8ª Série: Validação e aplicação do questionário do índice de Resiliência: Adultos Reivich-Shatté/Barbosa. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica). São Paulo: Pontifica Universidade Católica, 2006.

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Contato:

Vivian Maria Denny Psicóloga Clinica – Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – CRP 06/63504; vivian.psico@hotmail.com

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