Hipocondria: A Doença Imaginária com Sofrimento Real

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Hipocondria (= Também conhecido como Nosomifalia)

s.f.
1. Psicopatologia. Patologia mental definida pelo excesso de pensamentos e preocupações acerca de seu próprio estado de saúde, embora não haja razão genuína para isso.
[Figurado] Que está tristonho ou melancólico; tristeza.
(Etm. do latim: hypochondria; pelo grego: hypokhondría.as)

2. Estado de perturbação psíquica em que o indivíduo supervaloriza as sensações subjetivas, atribuindo-as a alterações ou a doenças orgânicas inexistentes, podendo mesmo convencer-se de que tem doenças muito graves ou mesmo incuráveis

No Transtorno Hipocondríaco existe uma preocupação, medo ou crença persistente de estar com algum transtorno somático grave e progressivo. Geralmente a atenção do paciente se concentra em um ou dois órgãos ou sistemas. Sensações e sinais físicos normais ou triviais são freqüentemente interpretados pelo paciente como anormais ou perturbadores. Consultas médicas, exames clínicos e laboratoriais frequentes não aliviam o medo do hipocondríaco que não considera nenhum exame convincente. Por isso, os refaz continuamente para certificar-se de que os médicos não deixaram escapar nada.
Há quem considere a hipocondria como um sintoma, uma verdadeira doença ou um traço de personalidade. De um modo geral o quadro clínico do Hipocondríaco, parece estar associado a outros transtornos emocionais, especialmente a Transtornos Depressivos e de Ansiedade. Pesquisas apontam que a incidência na população que possuem o transtorno varia entre 1 e 6% e atinge homens e mulheres.
A sociedade contemporânea piorou as coisas ao estimular uma preocupação excessiva com o cuidado com o corpo: hiper-vigilantes e atentos às funções normais, a tendência é notar e amplificar a cada pequeno sinal e considerá-los como indicio de perigo. Há pessoas que sentem todos os efeitos colaterais descritos nas bulas de medicamentos ou pensam terem contraído a ultima patologia da qual se tem falado ultimamente.
Cybercondria – Fazer uso da internet para obter informações a cerca da própria saúde, pratica que geralmente favorece o auto-diagnóstico e auto-medicações e que pode elevar o nível de ansiedade e agravar o quadro do hipocondríaco. Ou seja, a internet contribui de forma negativa para quem tem predisposição para a hipocondria, pois a quantidade de informações encontradas na rede, ao invés de tranqüilizar, aumenta o pesadelo dessas pessoas.

O Centro de Estudos em Psicologia do Ceará tem um texto bastante explicativo sobre a Hipocondria:

“… É a crença persistente na presença de pelo menos uma doença física grave, progressiva com sintomas determinados, ainda que os exames laboratoriais e consultas com vários médicos assegurem que nada exista. Muitas pessoas quando passam por uma doença grave e se restabelecem ficam sensibilizadas com o que aconteceu, preocupando-se demais, contudo nesses casos se uma consulta ou novo exame descartarem o recrudescimento da doença e o paciente tranquilizar-se, não havia hipocondria.

… Os hipocondríacos normalmente sentem-se injustiçados e incompreendidos pelos médicos e parentes que não acreditam em suas queixas, eles levam seus argumentos a sério e irritam-se com o descaso. Por outro lado resistem em ir ao psiquiatra sentindo-se até ofendidos com tal sugestão, quando não há suficiente diálogo com o clínico. Os hipocondríacos podem ser enfadonhos por repetirem constantemente suas queixas, além de serem prolixos nas suas explicações.Segundo pesquisas, os sentimentos causados nos médicos pelos pacientes hipocondríacos são:

Compreensão;
Pena;
Incômodo;
Impotência.”

Critérios Diagnósticos:
CID-10 F45.2 – Transtorno Hipocondríaco
A característica essencial deste transtorno é uma preocupação persistente com a presença eventual de um ou de vários transtornos somáticos graves e progressivos. Os pacientes manifestam queixas somáticas persistentes ou uma preocupação duradoura com a sua aparência física. Sensações e sinais físicos normais ou triviais são freqüentemente interpretados pelo sujeito como anormais ou perturbadores. A atenção do sujeito se concentra em geral em um ou dois órgãos ou sistemas. Existem freqüentemente depressão e ansiedade importantes, e que podem justificar um diagnóstico suplementar.
-Dismorfofobia (corporal) (não-delirante)
-Hipocondria
-Neurose hipocondríaca
-Nosofobia

Características Diagnósticas:

Preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar).
A. Qualquer um dos seguintes sintomas:
– Uma crença persistente, com duração de pelo menos seis meses, da presença de no máximo duas doenças físicas graves (das qual pelo menos uma deve ser especificamente nomeada pelo paciente).
– A preocupação persistente com uma deformidade ou desfiguração presumida (dismorfofobia).
B. Preocupação com os sintomas causa sofrimento persistente ou interferência no funcionamento na vida diária pessoal, levando o paciente a procurar tratamento médico ou investigações (ou ajuda equivalente com curandeiros locais).
C. Persistente recusa em aceitar o conselho médico de que não há nenhuma causa física compatível com seus sintomas ou anormalidades, exceto por curtos períodos de algumas semanas imediatamente após as consultas médicas.

DSM-IV – HIPOCONDRIA – 300.7

Características Diagnósticas:

A. Preocupação com o medo de ter, ou crença de que se tem doença grave baseada na interpretação errada de sintomas físicos.
B. A preocupação persiste apesar de adequada avaliação e tranquilizacao médicas.
C. A crença no critério A não tem intensidade delirante (como na Perturbação Delirante, Tipo Somático) e não está circunscrita a uma preocupação com a imagem corporal (como na Perturbação Dismórfica Corporal).
D. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou disfunção social, ocupacional ou noutras áreas importantes do funcionamento individual.
E. A duração da perturbação é de pelo menos seis meses.
F. A preocupação não é melhor explicada por Perturbação da Ansiedade Generalizada, Perturbação Obsessivo-Compulsiva, Perturbação de Pânico, Episódio Depressivo Maior, Ansiedade de Separação ou outra Perturbação Somatoforme.
Especificar se:
– Com fraco insight: se durante a maior parte do tempo do episódio atual, o sujeito não reconhece que a preocupação acerca de ter uma doença grave é excessiva ou não tem fundamento.
(in Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, da American Psychiatric Association, 2002, Climepsi Editores)

Tratamento: Como tratamento para o Transtorno Hipocondríaco, a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), em alguns casos associada ao tratamento psiquiátrico medicamentoso, tem respondido de forma satisfatoria ao quadro, pois habilita o paciente a desafiar as crenças irracionais a cerca das doenças imaginarias e a criar estratégias para driblar o medo e a preocupação exagerada e persistente.

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Contato:

Vivian Maria Denny Psicóloga – Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – CRP 06/63504; vivian.psico@hotmail.com

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